Conversa na Travessa

sábado, outubro 30, 2004

Halloween


Theophile Alexandre Steinlen, The Cats (4x)

Olhar para a serie "O gato que cai" (de Tawzeeto).
Ler os gatos dos escritores mortos no Sous les Pavés,La Plage e no Saudades de Antero:
1. o gato de Ruy Belo - pode ser o "Belinha";
2. o gato de Fernando Pessoa - Bichano;
3. a gata de Ambrose Bierce - Kitty;
4. o gato de Lewis Carroll - Ferris;
5. o gato de Alexandre O'Neill - Tareco
6. o gato de Heiner Müller - pode ser o "Fritz".

Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!
De que obscura força 'es tu a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mao, aquela cara?
Gato, cumplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

(Alexandre O'Neill)

sexta-feira, outubro 29, 2004

Relativismos


Na cocktail party da conferencia de Pop!Tech 2004, um tipo - em principio um tal de Tom O'Dell, "a venture capital guy" - diz:
“In America, 200 years is considered a long time. In Europe, 200 miles is considered a long way.”
(citado por Grant, da Interseccao da Antropologia com a Economia).

Ta' bem...

E nos States as t-shirts xs (extra small) servem-me.

Fantasia

As saudades que eu tenho da candura do Mundo!





Roubado daqui.

quinta-feira, outubro 28, 2004

18 000 anos, pa', dezoito mil anos!


The find has been classed as a new species - Homo floresiensis.
© P. Brown


18 000 anos nao e' nada. Um hominineo com 18 000 anos e' um gajo recentissimo. Encontrar um Homo de tao tenra idade (dezoito mil, pa'!) que nao seja Homo sapiens e' ocasiao para se ir 'a adega e acabar com todas as reservas de 40 anos. Soube disto atraves da Comadre Paula, que o soube atraves do Rui (Rui, es grande!). De facto, the early bird gets the worm. Por que estava eu em casa de manha (til no "a")? Por que me baldei - indecentemente, vejo agora - ao seminario de Bio-Anth de ontem? Por que e' que nao consegui bilhetes para ir ouvir o Richard Dawkins ontem? Mas o que ando eu a fazer, por amor de Darwin&Wallace?

E agora, olha, tenho de ir a correr ate' um certo e determinado sitio para que me expliquem quem e' este gajo novo, o Mr. Homo floresiensis (Homo, o genero do gajo, com letra inicial maiuscula; floresiensis, epiteto para a especie, em minusculas; nome todo em italico ou sublinhado)), um gajo que esta' a abalar certas e determinadas teorias que eu tive de engolir (com prazer, sem escatologia).

Vou ali tomar um cha' de ervas calmantes primeiro, para ver se o meu rush de adrenalina passa, que isto assim nao se consegue estar atarrachada 'a cadeira - penitencia que eu tenho de cumprir.

[Nota: Maria_das_Flores (1,67 m) nao e' um exemplar vivo, nem fossilizado, de Homo floresiensis]

Olha!!! Primos novos!!!

Benvindos à família!!! Mas eu se fosse a vocês deixava-me estar lá sossegadita na beira do vulcão. Acreditem! É MUITO mais seguro!


quarta-feira, outubro 27, 2004

O esoterismo tornado realidade: paraplegico envia emails por pensamento

(Ja' que estamos numa onda esoterica cheia de luz e paz.)


Nao 'tou tirando sarro dji voceiz, nao, meuz irmaos! Tudo verdade. Chequem este linque da Nature (via "amoeba", uma comentadora do blog do Grant):

"A pill-sized brain chip has allowed a quadriplegic man to check e-mail and play computer games using his thoughts. The device can tap into a hundred neurons at a time, and is the most sophisticated such implant tested in humans so far.
(...)
In June 2004, surgeons implanted a device containing 100 electrodes into the motor cortex of a 24-year-old quadriplegic. The device, called the BrainGate, was developed by the company Cyberkinetics, based in Foxborough, Massachusetts. Each electrode taps into a neuron in the patient's brain.

The BrainGate allowed the patient to control a computer or television using his mind, even when doing other things at the same time. Researchers report for example that he could control his television while talking and moving his head. (...)"


Que dizer disso, galera?

Stickergiant.com

Em como ser-se esotérico é bom para o cyberengate

Esotérico 1( Demónio dos Prados; Bruxa do Altifalante; Aprendiza de Paulo Coelho): Oi! Muita luz p'ra você.
Esotérico 2 ( Juanna dos Arcos; Senhor do Tetris; Xana Pelada): Olá! Que o luar te acompanhe.
E1: dd tc?
E2: SP. Vc?
E1: MG.
E2: Vc quer falar das implicações cósmicas que uma realidade como a retratada no Matrix pode trazer à nossa existência?
E1: Tudo bem...mas só se subirmos noutro plano de existência.
E2: Como assim?
E1: Tem um Centro espírita bem legal que pode te ajudar.
E2: É mesmo? Onde?
E1: Bem aqui. Você tem cam?
E2: Tenho.
E1: Então se liga. Vou-te mostrar caminhos maiores e mais largos de existência astral.



Nota: Quero ressalvar que respeito muito as profundas crenças de cada um. Tá?

terça-feira, outubro 26, 2004

Se os Simpsons fossem indianos/paquistaneses...

...chamar-se-iam Singhsons e acabariam o generico sentados num banco de madeira com uma vaca flatulenta ao lado. Mas quem faria o papel de Abu na loja de conveniencia? Possivelmente, um afro-americano.*
Os estereotipos continuam alive and kicking. O que seria das anedotas sem estereotipos?

*Vi ha' tempos um documentario num canal de tv ingles sobre o racismo da comunidade indiana de Birmingham para com os caraibenhos.

Aviso!!

Hoje estou a trabalhar sem nariz. Roubaram-mo e guardaram-no no bolso.
Um nariz não faz assim tanta falta como isso...


Roubado daqui.

segunda-feira, outubro 25, 2004

O papel da ONU no Iraque


Segundo Steve Bell, cartoonista do Guardian (via Azevedo)

sexta-feira, outubro 22, 2004

Appetite for destruction...

...ou "somos o que comemos". Neste momento sou um tetrápode gordurosissimo. Ou seja, acabei de almocar mal e porcamente (16:33 GMT) e estou rezingona. Andasse eu a comer como deve de ser e talvez explicasse melhor a questao da possivel relacao de uma dieta desequilibrada com o comportmento anti-social, sob uma perspectiva cientifica e politica. Faria links uteis e tudo. Mas nao. Estou cheia de bile. Portanto, hoje dou so' um cheirinho da coisa e ja' gozam.

"Full of Goodness
Giving violent young offenders a cocktail of minerals, vitamins and fatty acids seems to transform them into well behaved kids. Can better nutrition tackle crime? Mark Peplow investigates.
"(in New Scientist, 16/11/2002) [assunto a desenvolver aqui no Travessa um dia destes, depois de levar uma bela injeccao de Omega 3, proveniente de uma faustosa sardinhada ou isso]

GRRRRR!!!
O qu'e' que foi, oh tu que fumas?! Are ya tokin' to me? Mau...

Estou a beber um chá de cidreira com mel...

...e durante este "namoro" com a chávena de chá, penso que não me apetece pensar em nada. Sendo que é impossível não pensar em como há certas coisas que nos fazem tão bem. Como uma chávena de chá de cidreira com mel.



COLUMBANO
A CHAVENA DE CHÁ
1898
Óleo s/ madeira 26 x 34 cm
Museu do Chiado

quinta-feira, outubro 21, 2004

Etiopatogenia da Disfunção Eréctil

Segundo o DSM-IV-TR (APA, 2000) Disfunção eréctil define-se como uma incapacidade, persistente ou recorrente, para obter ou manter a erecção adequada até à conclusão da actividade sexual. Esta perturbação causa acentuado sofrimento ou dificuldades interpessoais.
Anteriormente todos os problemas do foro eréctil se deviam à parte psicológica, havendo um abandono da parte médica sobre a patologia eréctil. Uma outra fase seguiu a referida era do “isso é psicológico” com o aparecimento do sildenafil (o famoso viagra), onde o investimento da engrenagem farmacológica, trouxe a medicina para o estudo da disfunção eréctil. Hoje tentamos abordar ambas as parte com uma abordagem integradora, existindo como que uma balança entre o biológico e o psicológico, sendo importante a multidisciplinaridade.



A Tangerina

Palavras que fazem rir porque sim: segundo contributo

Almondega

A pedido deste cavalheiro

Mudámos o sistema de comentários.
Não queremos que vos falte nada.

quarta-feira, outubro 20, 2004

Sons


Amadeo de Souza-Cardoso (1887 - 1918), Entrada, 1917. óleo sobre tela com colagem. 93,5 x 76 cm
Encontra-se no Centro de Arte Moderna (Lisboa) e, desde ontem, no desktop do meu pc. A capa do primeiro album dos A Naifa ("Cancoes Subterraneas") e' feita de recortes souza-cardosianos.


Dizia eu: voltei com maus figados de Portugal. Mas hoje, numa atitude bioquimica Zen (assegurada, pelo menos durante a proxima hora e meia, por um bastante razoavel frango Tandoori com arroz pilau e raithe de pepino da cantina), nao vou falar de irritacoezinhas provocadas no contexto sociogeografico de um pais (acento agudo no "i") filho de um dEUS menor. Em vez disso (OOOOOOMMMM, OOOOOOOMMMMM), e visto que a musica acalma as bestas (no sentido italiano de bestia,i.e., animal), venho dizer que fiquei satisfeita com o microboom de projectos musicais portugueses. Ele e' o Quinteto Tati, ele e' os A Naifa, ele e' o ultimo album dos Da Weasel. Ele talvez seja os Flux e os Pluto, que nao tive oportunidade de ouvir. Contudo, ele nao e' os Toranja, mas, OOOOOOMMMM, OOOOMMM, de boas intencoes esta' o inferno cheio e, OOOOOMMMM, OOOMMM, nao, nao me vou crispar agora (rabaneterabaneterabaneterepolhorepolho).

Cantarolo hoje apenas aquela especie de fado electronico com letra de autores portugueses da "nova geracao" (Jose' Luis Peixoto, Jose' Mario Silva, Adilia Lopes, etc.): os Naifa (Joao Aguardela, Luis Varatojo, Vasco Vaz, Maria Antonia Mendes). Nao me tinha antes apercebido que a Adilia Lopes era tao fadável. Mas que disturbio de percepcao tinha eu! Entao dEUS e o desamor nao sao fadáveis?

"Deus e' a nossa mulher-a-dias"
(Letra: Adilia Lopes; Musica: Joao Aguardela/Luis Varatojo/Marta Mateus)

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos for a
como a vida
porque achamos
que não presta

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa


E ainda:

"Meteorologica"
(Letra: Adilia Lopes; Musica: Joao Aguardela/Luis Varatojo/Maria Antonia Mendes)

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida
é livro
e o livro
não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico

O futebol é um jogo de arremesso...

...de bolas de lodo à face do adversário.
Não vou falar do jogo, porque obviamente foi secundário. Mesmo os casos do jogo foram secundários perante tamanha sucessão de insultos e impropérios. O futebol em Portugal deixou de ser desporto, para passar a ser o que de mais mesquinho, baixo e obscuro existe no universo empresarial português. E se até agora haviam sido observados alguns critérios ao alvo a que se dirigiam os insultos, fomos nesta semana espectadores de uma nova evolução, bem ao estilo das campanhas eleitorais norte-americanas. De facto, só faltam passar nos ecrãs gigantes dos estádios de futebol, imagens de vídeos caseiros dos pecadilhos ou pecadões de quem se move neste meio.
O que mais me choca, ( sim-choca!), é que comportamentos destes em qualquer área empresarial da nossa sociedade não seriam tolerados. Queremos futebol profissional. Constituiram-se SAD's para conferir um carácter empresarial à actividade. Determinou-se definitivamente que não se está a jogar a "feijões". No entanto, elegem-se "pedreiros" ( o meu perdão aos Pedreiros) inflamados. A coisa é de tal forma promíscua que sinceramente já não sei quem reflete quem. Se a massa associativa o seu Presidente, se vice-versa.

terça-feira, outubro 19, 2004

"Pronto, la' esta' ela."

Actualmente, a TAP Air Portugal oferece a bordo refeicoes indecentes. Nao me obriguem agora a descreve-las, que ando hipertensa. Contudo, esmeram-se na diversidade de publicacoes (jornais e revistas) a que um passageiro pode ter acesso gratis - dois jornais ou um jornal e uma revista, de um leque muito decente de opcoes. Por isso, nao sei o que me tera' levado a escolher o "O Independente"; ja' a revista foi escolhida sem sobressaltos de maior (nao digo qual e', porque hoje nao me apetece).

Aos 16 anos comprava espontaneamente o "O Independente" pelas cronicas do MEC; pelo Paulo Portas jornalista (sim, sim, credo!!, mas nao se fala mais nisso); pela "rebeldia" das manchetes; pelas fotos do suplemento - sobretudo as a preto-e-branco, que recortava e utilizava em artcrafts pueris; porque o objecto da minha primeira paixoneta de longa duracao, gigaplatonica* e nao correspondida, tambem o fazia - com a diferenca que ele podia forrar as paredes do quarto com retalhos d'"O Independente", e eu, nem por isso; porque era um bom jornal para andar 'a cata de gralhas e corrigi-las, pensando que assim me preparava para um pesadelo idiota chamado PGA - que nao e' a Portugalia Airlines, mas sim uma das milhentas provas de acesso ao Ensino Superior, dos primordios do Cavaquistao, datacao entre o Paleolitico Superior e o Mesolitico, ainda nao confirmada pelo tecnica do Carbono 14 - de nome completo "Prova Geral de Acesso".

No entanto, nenhuma destas razoes me levou ontem a escolher o tal semanario, em detrimento de outras publicacoes, ate' porque, parecendo que nao, ja' nao tenho 16 anos e a PGA ja' nao aflige ninguem. Tera' sido nostalgia? Ou escolha pressionada pelo stresse de a seguir ainda ter de correr ate' ao gate 21 em menos de 6 minutos, com imensa tralha-de-mao (que nao pesa nada, e nao, o que tenho aqui debaixo do casaco nao e' mais bagagem de mao, nao e'!, mas e' que hoje acordei um bocado inchada, e' uma alergia, isso!, e' uma alergia), em total jejum cafeínico?

O que e' certo e' que escolhi o "O Independente" e o li. E o que e' certo e' que uma ou outra coisa me irritaram. Por exemplo, quando nao-sei-quem escreve que Clara Ferreira Alves é a nova directora do «Diário de Notícias» (DN),sucedendo a Fernando Lima, vem-se (sim, vem-se) com um comentario bacoco sobre o excesso de baton de cores garridas, idiossincrasia da "Pluma Caprichosa". Nao referiu o facto de a Pluma Caprichosa andar de ha' tempos para ca' a pintar o cabelo, que costumava ser preto (bem giro). E os brincos? Ela 'as vezes usa brincos giros, mas o tal tipo nao disse uma palavra sobre o assunto. So' falou do baton, acreditam? Isto tem, claro esta', muito mais importancia do que o facto de Clara Ferreira Alves ser a primeira mulher a dirigir um jornal "de referencia" em Portugal, pese embora (ou por isso mesmo) seja uma santanete (a questao da "santanice" foi referida no artigo, no entanto).

Infelizmente, e como e' meu costume, deixei tralha no aviao, desta vez a tal edicao do Independente. Se alguem souber quem foi a alminha que escreveu este artigo e mo quiser dizer, tera' a minha (e)terna gratidao.

Portanto, voltei ( Ola' comadres, restante família e vizinhos!). Com um pouco de bílis, ca' estou eu de novo.

*uso de prefixo "giga" provavelmente influencia de jolina.

As artistas esquecidas que são as Mães!!

Canto mal, danço pior e tenho uma tendência execrável para subverter as histórias infantis em manifestos sociais, culturais e políticos ( característica herdada da minha mãe.)
No entanto, com a chegada do meu ganapo há 21 meses e 3 dias atrás, tudo mudou!
Se desta voz não sai uma nota em tom para cantar o " Sobe, sobe balão sobe" da nossa saudosa Manuela Bravo, de repente tudo fica mel a cantar o " Oh papão vai-te embora!" ou a música dos " Palhacinhos".
Se a descoordenação dos pés é tal que no nosso casamento dançamos a abertura do baile atrás de um pilar para ninguém ver a minha manifesta incapacidade para a valsa, subitamente tudo fica muito mais leve e solto a dançar a " Loja do Mestre André".
E finalmente, a minha história do Capuchinho Vermelho é tão gira, tão gira e cheia de efeitos sonoros e momentos emocionantes ( e dura exactamente o tempo de uma refeição completa) que todos os dias tenho que a repetir perante aqueles olhos grandes e atentos.
Chego portanto à conclusão que para se ser um Grande Artista tem que se amar muito o Público e o Público amar-nos de volta e também muito!



(Posso ser a lua, uma rena ou um dragão. É só escutares com muita atenção!)

segunda-feira, outubro 18, 2004

Ai a chuva! A chuva!

Antes de mais...

...desejo à nossa comadre emigrada uma agradável viagem de regresso à Velha Albion.

Agora o mais.

Reformar Portugal
O que é que Portugal faz bem? Nada. Ou pelo menos é o que parece quando se escuta tantos dos fazedores de opinião.Ainda que todos concordem em apostar, em corrigir, em desenvolver, em generalidades e das boas. Mas em quê? Isso já é mais difícil. E, como tal, depreende-se que Portugal é bom é a fazer nada e que por isso se devia reformar. È uma boa ideia.
Mas ainda antes de se pôr a pensar na reforma, imagine um garfo. Um garfo normal, é um produto mesmo aborrecido e desinteressante. Um garfo é um garfo. Não tem nada de saber. Agora imagine que o garfo em questão é Made in Germany- como é que seria o garfo alemão? E se o garfo fosse italiano, que tal seria? Já agora como é um garfo fabricado no Japão?
Nesta cutelaria imaginária encontram-se o seguintes produtos: Garfos alemães de liga fantástica, que nunca se enferrujam nem entortam. Oa italianos, transpiram design. Lindos, decoram qualquer mesa de jantar, mas só quando há visitas, porque são impossíveis de usar no dia-a-dia. Os japoneses, se não forem pauzinhos, são pequenos, e com um sensor electrónico para medir a temperatura da comida, não vá o comensal queimar-se.
Estes países têm uma percepção que se reflete nos seus produtos e que os ajuda a vender. Percepção esta que deriva da sua História e dá aos seus produtos verdadeira vantagens competitivas. Veja-se a França em que o luxo de Versalhes vende o luxo dos seus cosméticos e perfumes. Ou então a terra das oportunidades, sempre abundante e sem história, que faz do Made in USA sinónimo do que é grande e descartável. A percepção dos produtos nacionais é em primeiro lugar condicionada pela História dos países. Mesmo em Portugal.
Só que para o Europeu médio, Portugal não tem grande História. Ou seja, os Europeus sabem que em Portugal não se passa grande coisa: O clima é bom e tolerante; Não há animais selvagens; Não existem tufões, nem terroristas; Há pouco crime e até as revoluções são com flores. Se os italianos herdaram o estilo do renascimento, os portugueses têm o país onde não acontecem nem coisas excitantes (como em Espanha), nem coisas prevísiveis (como na Suiça). Em Portugal não acontece nada. Portugal é um país onde se está bem, onde se vive bem, onde ninguém chateia e onde as coisas andam devagar.
Por isso é que em Portugal se faz móveis confortáveis (e não móveis de design), se faz coisas de cortiça ( porque são fofinhas), se faz monovolumes (e não carros desportivos). Portugal é desenrascado em sectores confortáveis (como o têxtil-lar) e um quase desastre em tudo o que fôr modernices de alta-tecnologia. Portugal é o país do conforto. E o principal produto do país do conforto tem de ser o turismo residencial da terceira idade. A maior indústria da Flórida são os condomínios para reformados e a Flórida é, graças a esta aposta, o segundo estado mais rico dos EUA. Portugal, a exemplo da Flórida, pode tratar de pôr os reformados da Europa ao sol e viver às custas das europeias seguranças sociais. Depois, com os reformados, viriam de férias, os respectivos filhos e netos e com eles mais turismo e mais consumo. Se Portugal acolher 250 mil reformados (e só na Alemanha há uns 15 milhões) o PIB cresce 5% ( uma reforma de 300 contos x 250 mil= mil milhões de contos/ano= 5%PIB). E se vier um milháo de reformados? Já se vê. Fica um país rico e nem sequer faltam os loteamentos aprovados.
A esse dinheiro ( que está disponíve porque não existe ninguém a postar a sério nesta
oportunidade) junta-se ainda todo o efeito contágio dos produtos nacionais. Móveis confortáveis, sapatos que não aleijam, roupa para ir à esplanada, televisões que não ferem os olhos. O país do conforto é uma ideia onde Portugal pode competir. Não é tecnologia, porque os europeus têm tanta razão para temer a inovação portuguesa como nós temos para desconfiar dos Fiat usados. Não é mão-de-obra barata, porque nisso nos ganham os pobres filipinos. O conforto é algo que POrtugal faz bem (fazer nada)porque se deduz directamente da nossa Herança. (...)


Artigo de Henrique Agostinho no nº 318 do Meios & Publicidade


Fonte:www.math.iupui.edu

Porque não??

domingo, outubro 17, 2004

Encontros e desencontros

Esta semana encontrei o Pedro Mexia no Colombo e o Nuno Godinho na estação de Santa Apolónia.

A vida é feita de encontros e desencontros, dizia o sr. Mendes!
A Tangerina

sexta-feira, outubro 15, 2004

As crianças são o melhor do Mundo!

Não vou explicar o sentido profundo e óbvio desta frase.
Simplesmente apeteceu-me escrevê-la porque,

o meu filho já percebe que os mimos são tão bons quando se dão, como quando se recebem.

vou ser tia de mais uma rica sobrinha.

por mais cépticos que possamos ser, enquanto houver crianças, haverá sempre esperança num futuro melhor.

Não é o máximo??!!


Autor: Não identificado

Muitos beijinhos às minhas três lindas meninas!
E a ti meu amor, amo-te até ao fim do céu!

quinta-feira, outubro 14, 2004

Ai as compras, as compras!

Nem vos digo, nem vos conto! Apareceu-nos cá um marchand com umas peças giríssimas! Entre elas uns quadros, umas fotos e umas coisas que não percebi bem o que eram, que como podeis ver, foram rápidamente adquiridas para o espólio da Travessa. Olhem um rapaz tão simpático, tão simpático, mas tão simpático!!! Mas as peças eram mesmo o máximo, assim umas coisas a preto e branco e outras do género... E aquela carinha laroca???!! E aquele sorriso, tiradinho da cadeira do dentista. Ai meu Deus!!! É grande coisa ser-se assim tão bom vendedor...ai...marchand!

quarta-feira, outubro 13, 2004

E mai'nada!!

Como os distintíssimos vizinhos já viram...

...fizemos umas obras. Agora com a nova lei do arrendamento, resolvemos remodelar a Travessa para podermos aumentar o valor das rendas.
Já tivemos algumas reclamações. Houve aí, quem reclamasse o facto de termos colocado casa-de-banho no apartamento. Lamentamos, mas precisamos do certificado de habitabilidade.
No meio da barafunda, despejamos umas gavetas, com umas recordações da vizinhança. Temos muita pena, mas foi impossível recuperar a papelada. A Maria bem que tentou subir para cima do carro do lixo, mas devido a uma quezília antiga, foi indecentemente rasteirada por via de uma cinta da Belcor.
A nossa Tangerina, anda atrapalhada em contactos com decoradores, empreiteiros e assim. Daí que as obras ainda não terminaram na totalidade. Ainda faltam uns retoques aqui e acolá.
De qualquer forma, mi casa es su casa,...

E agora?? Já está?

Isto não está a correr bem!

terça-feira, outubro 12, 2004

Liquidação total!!

Motivo: Obras

Os tempos dos verbos nas ementas

Adega da Barroca: Excerto da ementa

Bacalhau para cozer
Bacalhau para grelhar
Dourada para grelhar
Frango para corar
Peixe espada grelhado

"Grelhado" indica uma acção no passado e "para + verbo no infinito" uma acção num futuro mais ou menos próximo. Ou seja, "para + verbo no infinito" indica uma maior frescura do alimento, certo? A cozinheira esteve-se nas tintas para a gramática e trouxe-me um soberbo peixe espada grelhado superlativamente fresco.

O sol doira sem literatura (nem gramática), de facto.

sexta-feira, outubro 08, 2004

Será vento, será vento!

O que se ouve de momento?
É um lamento, um lamento.

Nota: Cortar as mãozinhas de próxima vez que lhe der para isto.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Aproveitando um coffee-break para falar no "forgotten DNA man"

Houve tres homens geniais e nao dois (Watson & Crick)que descobriram a estrutura do ADN, o ja' celebre acido desoxirribonucleico, e que ganharam o Premio Nobel por isso. Morreu hoje o "terceiro homem", de quem ninguem fala (e' tipo o Wallace do ADN, mas nao tenho tempo para explicar agora - tenho mais 7 minutos de coffee-break): Maurice Wilkins, the forgotten DNA man (injustamente). Fixem este nome. O homem morreu, mas o nome - e a obra - nao.

Maurice Wilkins
A joint Nobel prizewinner with Crick and Watson, he used x-ray images to reveal the double-helix structure of DNA"


(3 minutos para o fim do coffee-break. Gotta go!)

Portugal a saque* - post manta de retalhos

Retalho 1

(Bartoon, in Publico de hoje)

Retalho 2
"Ainda Mal Começou... Os estragos provocados por este Governo ao fim de pouco mais de três meses ultrapassam as piores previsões dos mais pessimistas. (...)

Chegámos agora a um dos momentos mais baixos deste círculo vicioso. De um lado, um governo acossado e fraco, desorientado e acéfalo, incapaz de resistir à tentação da manipulação e desesperado por não perceber que o mal não está em quem divulga as más notícias, mas em quem lhes dá origem: eles próprios. Do outro lado, elites que ou estão divorciadas da causa pública, ou estão concubinadas com os poderes"
(Editorial do Publico de hoje; nem acredito que estou a citar o JMF...)

Retalho 3
"(...) Nos primeiros dias,[o Primeiro-Ministro Santana Lopes] desdobrou-se em declarações, directos, exclusivos negociados, convencido de que dominava pela palavra a realidade. O resultado acabou por se revelar contraproducente, indiciando a sua pouca preparação para o cargo. Na avalanche de contradições, a que as suas declarações deram origem, entrou em conflito com os ministros que sabiam alguma coisa do que estavam a fazer. Refinaria, taxas moderadoras, deslocalizações de secretarias de Estado, situação do concurso de professores, etc., cada declaração gerava controvérsia, remendos e remendos de remendos. (...)

Se somarmos a tudo isto o controlo da televisão e da rádio públicas, que já vinha do anterior Governo, as mudanças que se estão a dar nas chefias no grupo Lusomundo dependente da PT, colocando todo seu sector mediático sob o controlo de Luís Delgado, um jornalista cuja promoção não tem outra explicação que não seja o seu proselitismo político, usando instrumentos que o PS preparou com o mesmo objectivo de controlo, o panorama é preocupante. Existem ainda suspeitas de pressões políticas e económicas sobre os grupos empresariais de comunicação, para que se "portem bem", escassamente conhecidas fora das administrações do sector e escapando ao escrutínio público.(...)"
(JPP no P. de hoje)

Retalho 4
"O PÚBLICO sabe porém que entre os accionistas da TVI havia quem não gostasse do tom dos comentários de Marcelo, uma vez que o grupo Media Capital está interessado noutros negócios cujo desfecho depende directa ou indirectamente do Governo. O desenlace dessas negociações, nomeadamente com o Grupo PT, poderia depender da estação ser mais ou menos crítica, nos seus espaços informativos, relativamente ao Governo." (Luciano Alvarez E Helena Pereira, com J.M.R., no P. de hoje)

Retalho 5
"Sistema de Cobrança Fiscal Bloqueado Há Duas Semanas" (Joao Ramos de Almeida no P. de hoje)

Remate da manta de retalhos
"Quando gastamos tempo demais a viajar, tornamo-nos estrangeiros no nosso proprio país." (Rene' Descartes)

Vou ali ao estrangeiro e ja' venho.

*Adenda (descer a bainha 'a manta): Contudo, quando retalhei a manta,nao tinha ainda lido "A Democracia a Saque" (Jose' Antonio Lima no Expresso). Alias, ainda nao tinha lido nada (nem sequer a caixa de cereais), sem ser o P.online.

terça-feira, outubro 05, 2004

Nao, ainda nao calcei as pantufas.

Nao e' que nao me preocupe com os destinos do mundo, mas e' que ando cheia de pressa.*


Don Quino, perdone las molestias y mi ridiculo Portuñol. Poderia usted emprestarme esta tira de Mafalda por unas semanitas? Prometo que la devuelvo despues sin macula. De verdad que non tengo propositos publicos o comerciales. Muchas gracias.

Felices cumpleaños, Mafalda, sua contestaria! 40 anos sem calçares as pantufas e'obra.

*Isto tem de de dar uma volta.

segunda-feira, outubro 04, 2004

"Inside"


Autor: Luís Lobo Henriques
Fonte: www.olhares.com


Rita took my smile away
For a while
Where she wen't, she didn't said
This time
Every time you want I will be there in a while
Every time I'm already by your side
There's always a path if you look around
A path
To look inside
Inside
Inside yourself for a light
Rita took my smile away
For a while
Where she went she didn't said
This time
But there's always a path if you look around
A path
To look inside
Inside
Inside yourself for a light
But, there's always a path if you look around
A path
If you look inside.

Autores: Flux in: Roulette

Reality is Stranger Than Fiction. Episodio 2: "Os Provedores"

"O reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Manuel Braga da Cruz, está preocupado com o sucesso escolar dos alunos que chegam ao ensino superior e considera que um dos factores que contribuem para o insucesso é a existência de uma "pressão" da indústria nocturna sobre os estudantes.

Em entrevista ao PÚBLICO e à Rádio Renascença, para o programa "Diga Lá Excelência", que vai ser hoje transmitido na 2: e que sairá nas páginas do diário amanhã, o reitor defende que o poder político deve intervir na regulamentação desses espaços de diversão, de modo a que os estudantes não os frequentem tão intensamente.
"
(in Publico 03/10/04, via Sous Les Paves, La Plage)

Num outro espaco universitario, 'a mesma latitude, mas longitudinalmente mais a Norte, outros provedores resolveram interromper um curso de flamenco (1 hora semanal) durante o tempo de aulas ("Uma pouca vergonha!!"), por o considerarem "entertainment". Agora e' que os alunos vao estudar a serio, claro.

sexta-feira, outubro 01, 2004

Um incomensurável marasmo nao mata a empáfia - retorque a néscia, mas pouco lépida blogueadora.

Ontem acordei a gargalhar com um pesadelo comico que tive.
Assistia a um peça de epoca, passada na Idade Media ou coisa que o valha. Em cena estao dois actores, vestidos de camponeses. 'As tantas, sou eu que estou no palco e o meu colega actor pergunta-me:

- Doce donzela, permite-me que lhe recite uma ode?

Eu comeco a inchar, a inchar e fico gorda (redonda) que nem uma duende da floresta. E respondo:

- Seria melhor uma redondilha...

Acordo cheia de suores frios, mas a rir-me a bandeiras despregadas.

E como um incomensurável marasmo nao mata a empáfia, por mais néscia e menos lépida me sinta, com toda a frontalidade e cagança, returco:

Resultado: 28 pontos

Eu tenho um incomensurável vocabulário para dar tanga.


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Preciso de ferias, maze'!

Glossário breve:
glossário - do Lat. glossariu. s. m., vocabulário em que se explicam palavras pouco conhecidas ou de sentido obscuro; vocabulário tecnológico.
ode - do Lat. ode, Gr. odé, canto. s. f., composição poética de assunto elevado e destinada ao canto;composição poética dividida em estrofes, semelhantes pelo número e medida dos versos.
redondilha - do Cast. redondilla, redondinha. s.f., verso de cinco ou sete sílabas métricas.
retorquir - do Lat. retorquere. v. tr., replicar;objectar; responder; v. int., retrucar; opor argumento a argumento.
alvíssaras - do Ár. albixara, notícia boa. s. f. pl., prémio que se dá a quem traz boas novas ou entrega objecto perdido. [porque outro dia escrevi aqui "alvisseras", erro crasso!!]
crasso - do Lat. craussu. adj., denso; cerrado; espesso; grosso; grosseiro.ignorância —a: suma ignorância; erro —: erro grosseiro.