Conversa na Travessa

terça-feira, setembro 30, 2003

Tabagismo, gravidez, paz e vinho

Achei este artigo interessante: Tabagismo, gravidez, paz e vinho, de Sônia Melier, Tribuna da Imprensa online, Rio de janeiro, sábado e domingo, 06 e 07 de setembro de 2003. Vai contra quase tudo o que me tinham feito acreditar antes: que fumar e' mau (isso ainda e' considerado verdade), mas que um cigarro regado com alcool ainda e' pior. Afinal, parece que se for regado com VINHO nao e' assim tao mau . Ando confusa. Ja' ontem uns investigadores ingleses vieram dizer que, afinal, os protectores solares nao protegem quase nada, isto e', protegem contra os UVB, os raios que danificam mais a superficie da pele e que provocam escaldoes. No entanto, nao protegem praticamente nada contra os UVA, os raios que penetram mais fundo, e que parece que disturbam o sistema imunitario, sendo tambem os principais responsaveis pelo aparecimento do melanoma. Ao que parece, mesmo os os protectores solares mais fortes pouco fazem. Estamos tramados! E' claro que se deve sempre usar protector em situacoes de exposicao ao sol, mas so' isso nao chega.
Bom, mas voltando ao tabaco e ao vinho. Aqui transcrevo o artigo no original, em Portugues do Brasil. Acho o paragrafo final um bocado forcado (leia-se "forsado"), mas enfim. Quem e' que me diz que nao tera' sido o problema de alcoolismo do Bush Jr. que o tera' transformado na pessoa que hoje conhecemos?


Casamento campones, 1567 (Peter Bruegel,1525?-1569)

"Não tem muito jeito: volto a falar sobre vinho e saúde. Na coluna passada, revelamos que pesquisadores americanos descobriram que uma substância química do vinho, o famoso resveratrol, era capaz de prolongar nossas vidas, ao excitar uma determinada enzima, a SIR2.
A pesquisa norte-americana, de Harvard, foi divulgada um dia ou dois depois que o Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Dinamarca ter divulgado que descobrira uma ligação entre a fertilidade e vinhos.
E agorinha, agorinha mesmo, um estudo desenvolvido por cientistas gregos demonstra que, se tomarmos vinho enquanto fumamos, a ação negativa do cigarro sobre nossas artérias é eliminada pelo vinho.
No caso da enzima SIR2 e do combate ao cigarro, o vinho é o tinto - a espécie que contém mais antioxidantes, pois no seu fabrico, as cascas das uvas fazem contato com o vinho até o final da fermentação.
Na pesquisa sobre fertilidade, o vinho pode ser tanto o tinto quanto o branco. Os dinamarqueses pesquisaram 30 mil mulheres grávidas, que responderam sobre seus hábitos quanto a bebidas.
Verificaram que aquelas que bebiam vinho moderadamente conseguiram engravidar mais rapidamente do que as adeptas de cerveja ou de destilados. Ou mesmo do que as abstêmias.
Os cientistas dinamarqueses não descobriram, porém, que espécie de vínculo é esse. Pode ser alguma substância existente na bebida ou o fato de que os bebedores de vinho costumam ter dietas mais saudáveis. Os especialistas em fertilidade alertam, contudo, que mais do que duas taças de vinho diárias podem reduzir as chances de uma gravidez.
O professor John Lekakis, do Hospital Alexandra, em Atenas, disse, na apresentação de seu estudo à Sociedade Européia de Cardiologia, em Viena, que 250 mililitros de vinho tinto (cerca de duas taças) interrompem os danos promovidos por um cigarro em nossas artérias.
Mas, atenção, os pesquisadores gregos alertam que seu estudo não prova que o hábito de beber-se vinho tinto regularmente pode eliminar os danos provocados pelo cigarro ao fumante crônico.
O estudo sugere, contudo, que o vinho tinto, há muito tido como saudável para o coração, quando bebido moderadamente, pode conter substâncias que venham a combater os males do cigarro.
Os cientistas gregos experimentaram um vinho de sua terra rico em polifenóis, aqueles que podem agitar enzimas, nas versões com e sem álcool. Ficou demonstrado que o efeito nos fumantes era o mesmo. Logo, o álcool não era a causa dos benefícios.
Podia ficar falando sobre outras pesquisas, como a do cientista inglês que diz ter demonstrado que beber vinho é mais saudável do que beber água. Esse argumento, em particular, talvez pudesse forçar o Bush a voltar a beber - mas beber vinho e moderadamente. Possivelmente o mundo ficasse em paz, respirasse mais aliviado e milhares de vidas fossem poupadas.
"

segunda-feira, setembro 29, 2003

"O silencio e' a mais perfeita expressao do desprezo." (Bernard Shaw)

No meu caso, o silencio e' a mais-que-perfeita expressao do stress.


Olhar, Raquel lemos


Chamo aqui a atencao para uma das minhas exposicoes anuais favoritas. A WORLD PRESS PHOTO, que vai decorrer de 10 de Outubro a 02 de Novembro no Centro Cultral de Belem.

E para quem tem filhotes ou nao, sugiro este SLAVA'S SNOW SHOW. "O maior palhaco do mundo volta aos palcos Portugueses para nos comover com a sua arte, declinando, com surpreendente modernidade, o saber de geracoes de palhacos. Show, misto de teatro, musica, pirotecnia e jogos de luzes remete-nos para momentos magicos de tragedia, comedia e poesia, proporcionando uma recordacao indelevel!" .
De 7 a 11 de Outubro, no Grande Auditorio do CCB.

Vizinhança,
Hoje ao olhar para o contador do nosso blogue, fiquei surpreendida. Já ultrapassamos as 1000 visitas! Nao tinha nada essa nocao. E que fazendo as contas, da uma media de 33.333...visitas diarias. Considerando que cada uma de nos entra no blogue, sei la, 3 vezes ao dia(?), somos visitados por "malta dos outros bairros", em media 20 vezes ao dia. Considerando que ate agora so nos as tres Marias e que nos comentamos umas as outras, algo de errado se passa. E e isso que eu gostaria de perceber. Os posts sao chatos? Os temas nao sao apelativos? A travessa cheira mal? ( Quanto a isso ja tinha avisado no primeiro post) O senhor do 21, continua a passear pela travessa, de madrugada, mostrando as vergonhas?
Este era um misterio que gostaria de ver esclarecido. A construcao desta travessa teve como objectivo a alegre convivencia com outras opinioes e ideias. Dai os comentarios, dai o Guestbook. Aceitamos tudo. Opinioes, criticas, ideias, questoes,...Porque atraves dessas sinergias ficamos mais ricas. E gostariamos que esta fosse uma experiencia enriquecedora.
Portanto, nao se esquecam. Quando passarem pela travessa, digam um "ola", um "ate depois" ou ate um "fosga-se ja nao vos posso ler."
As marias agradecem.

Ha ocasioes em que me recordo de umas ferias de Verao, passadas na casa de Cabo do Mar ( que nesse ano era o meu padrinho) na Arrábida. Lembro-me do cheiro a peixe fresco comprado aos pescadores. Lembro-me de andar atras de caranguejos no meio das rochas. De apanhar lapas e mexilhoes. E dos belos pestiscos que faziamos. Lembro-me de apanhar banhos de sol em cima das rochas, da agua limpida. Dos pequenos peixes que ficavam as vezes presos nos buracos das rochas e que nos salvavamos, devolvendo ao mar. E lembro-me acima de tudo de acordarmos as tres da manha, para ver os barcos dos pescadores engalanados e cheios de luzes em procissao maritima, honrando uma santa de sua devoção. O espectaculo era impressionante e nunca mais dele me esqueci. Hoje este post e em honra dos pescadores.


Exposição - Esperança do Mar- 98 / 25
Artur Santos e Jose Lessa

Todos nos ja ouvimos ou ja dissemos:”- Nao digas isso que e ma educacao!”
Isto a respeito do colorido palavrao.
Concordo que quando nao ha maturidade para utiliza-lo, no caso das criancas e alguns adultos, o habito de dizer palavroes deve ser reprimido. Concordo que ha ocasioes e locais onde tambem nao e apropriado faze-lo. Mas nao me choca nada ouvi-los dizer e mesmo dize-los em determinados contextos. Nao me parece, ao contrario, do que e comum ouvir-se dizer, que quem diz palavroes seja de pouca educacao. Ou que uma mulher que os diga nao e uma senhora.
Um palavrao bem dito e dito com sentimento, pode condensar uma miriade de sentimentos. Pode salpicar de cor uma ideia. Pode exorcizar raivas e despeitos.
Os palavroes sao vox populi. E se calhar por isso nao constam do Dicionario de Lingua Portuguesa. Na entrada relativa a palavrao, alem de outras definicoes, encontra-se como sinonimo de obscenidade. Sera uma obscenidade, porque em geral remete para as partes pudibundas. Para as vergonhas. Mas em obscenidade, encontro a seguinte definicao:
torpe;contrário à decência, ao pudor;impuro;impudico;lascivo;contrário à moral;desonesto.
Poderá ser muita coisa, mas desonesto? Ha la maior honestidade que o acto de libertar um palavrao no mundo? E o sentimento a flor da epiderme, ali, sem rodeios!
Eu devo dizer que nao me coibo de soltar um desses demoniozinhos de quando em vez. E que me sinto muito bem apos esse acto liberador. E que recomendo como terapia. Nao aconselho e abusos, pois um ataque de Tourette deve ser deveras embaraçoso.( Se bem que hilariante num qualquer organismo publico.)
Amigas e amigos, cultivem o palavrao. Contribuam para uma Lingua saudavel e viva.

sábado, setembro 27, 2003

Vou ali...




e...



Já venho!

As restantes comadres farão as honras da coscuvilhece!

A Tangerina

sexta-feira, setembro 26, 2003

Esclarecimento básico sobre e-mails que circulam na Internet

Acho que nao sou so' eu que estou farta de receber daqueles forwards "se nao enviar este email a mais 20 pessoas na proxima hora, o seu desejo nao se realizara". De tal forma que setou para cancelar uma das minhas contas de email, porque ja' so' praticamente recebo forwards (de pessas que nem sequer conheco, as vezes) e junk mail. O unico email que salvei foi este que transcrevo abaixo, porque, na verdade, ja' me tinha informado sobre isto,e e' de facto verdade o que o tal Grupo PSJT (um grupo brasileiro) diz. Parece um bocado longo, mas acho que e' importante divulgar. Esta' em brasileires. Nao usei italico, porque acho que e' mais facil de ler assim.

"- Grandes empresas NÃO usam correspondência do tipo corrente. A Microsoft e a AOL NÃO estão oferecendo US$ 245 a cada repasse de e-mail, e a Ericsson NÃO está doando celulares de graça.

- A AMBEV e a NESTLÉ NÃO estão dando kits gratuitos para quem repassar e-mails e mandar confirmação para o endereço indicado.

- Nokia e Ericsson NÃO oferecem celulares de graça para teste de campo e nem pagam US$0,01 por cada e-mail repassado para seu grupo de amigos (vítimas de um insano) para ajudar na recuperação de uma crinça que está com seus dias contados, vítima de câncer.

- A MTV NÃO lhe dará o direito de ficar nos bastidores se você remeter
correspondência a um monte de gente.

- NÃO é porque alguém escreveu, quatro degraus anteriores da pirâmide, que é verdade (observe, é mais uma mera mentira).

- NÃO existe uma organização de ladrões de fígado. Ninguém está acordando numa banheira cheia de gelo, mesmo se um amigo jurar que isto aconteceu ao primo do amigo dele.

- Se o(s) último(s) desastre (s) envolvendo foguetes da NASA espalharam
partículas de plutônio sobre a Costa Leste Americana, você acha realmente que esta informação chegaria ao público por mail?

- NÃO existem os vírus "Good Times", "Bad Times", "Sapinhos Budweiser" etc. Na verdade, você NUNCA, mas NUNCA mesmo, deve reenviar qualquer e-mail alertando sobre vírus antes de primeiro confirmar se um site confiável de uma companhia real, como por exemplo www.symantec.com.br o tenha identificado.

- Corte aqueles quilômetros de cabeçalhos dos e-mails.

- Existem mulheres que estão realmente sofrendo no Afeganistão (assim como no Brasil), e as finanças de diversas empresas filantrópicas estão vulneráveis, mas reenviar um e-mail NÃO ajudará esta causa. Nem mesmo salvará uma suposta mulher condenada a "lapidação" ou apedrejamento.

Se você quiser ajudar, procure seu deputado, a Amnistia Internacional ou a
Cruz Vermelha. E-mails "os abaixo-assinado'' geralmente são falsos, e nada
significam para quem detém o poder para fazer alguma coisa sobre o que está
sendo denunciado. São apenas meios de obter endereços eletrônicos.

- NÃO existe nenhum projeto para ser votado no Congresso que reduzirá a área da Floresta Amazônica em 50%; e nem para deixar de cobrar pedágio; portanto NÃO perca tempo nem "pague mico" assinando e repassando aqueles furiosos abaixo-assinados de protesto, ou comunicando este tipo de coisa.

- Você NÃO vai morrer nem ter azar no amor se arrebentar uma corrente. Sejamos inteligentes e recusemos esse tipo imbecil de ajudar hackers e spammers (propagandas)

- Escrever um e-mail ou enviar qualquer coisa pela Internet é fácil... NÃO
acredite automaticamente em tudo. Observe o texto, reflita, analise tudo isto
antes de repassar aos amigos.

- Quando nós recebemos mensagens pedindo ajuda para alguém, com alguma foto comovente, NÃO repasse apenas "pra fazer a sua parte ",... pode haver alguém cheio de má intenção, por trás deste e-mail... verifique a veracidade das informações... Afinal, próximo de sua casa, há sempre alguém carente que vc poderá ajudar, se esta for sua opção de vida.

Cuidado!

- Com mensagens-lista de dados de pessoas, que cada um vai assinando, colocando seus endereços e telefones reais, repassando... Podem facilmente serem utilizados por assaltantes, seqüestradores, etc.

- Muito cuidado com os golpistas internacionais (principalmente de regiões da
África) que dizem ser herdeiros de um grande valor em dinheiro que precisa ser depositado em uma conta bancária no exterior para ser resgatado e oferecem uma quantia fabulosa à pessoa que estiver disposta a ajudá-lo. FIQUE ATENTO!!

- Não seja medíocre enviando mensagens para seus amigos e incluindo os "amigos dos amigos" na cópia. Eles não são necessáriamente seus amigos também, portanto poupe-os deste transtorno.

- Evite apresentações em Powerpoint com animação em que o texto aparece letra por letra (e com barulho chato de "máquina de escrever"). Além de perder seu tempo preparando uma besteira dessas, perde o tempo dos amigos (ou ex-amigos) ao lê-las.

Dicas

- Utilize-se sempre endereçamento no campo CCO (Com cópia oculta) quando
enviar e-mails.

E FINALMENTE O MAIS IMPORTANTE:

- Quando vocês reenviarem mensagens, retirem os nomes e e-mails das pessoas por onde os e-mails já passaram: tem programas rodando na Internet para "pegar" tudo que tiver antes e depois de um "@". Isso é vendido para Spamers, que muitas vezes espalham vírus. Quando for mandar uma msg para mais de uma pessoa, não envie com o "para" nem com o "Cc", envie com o "cco" (carbon copy ocult) ou "bcc" (blind carbon copy), que não vai aparecer o endereço eletrônico de nenhum destinatário...

Quando todos fizermos isso, livraremos a Internet de 80% dos vírus... "

Quando tudo corre mal...





Hoje vou fazer óó com o meu miau!

A cama por vezes parece tão despropositadamente grande.


A Tangerina

quinta-feira, setembro 25, 2003

As regras da boa vizinhança - a resposta correcta e': "Sim, Maria, 'es uma azelha total!"

Pois...cofcof!...Pois parece que, afinal, tinha conseguido apagar os "maus posts". Bom, parece tambem que, assim, la' vou ter de copiar a transcricao do tal argumento da XFM.

A propósito de “Portem-se bem”, um argumento de Miguel Qualquer-Coisa, na XFM (“Para uma imensa minoria”) (edição de 19/09/1994, 14:00).

«O juiz que decide está fartinho de insistir, mas como os hábitos de décadas não se mudam assim, de um dia para o outro, a cidade de Lisboa vai ter um novo regulamento policial, que, por outras palavras, poderá ser descrito como o “livrinho das regras de boa vizinhança”. O tal regulamento deseja estimular as pessoas para a prática de um desporto frequentemente esquecido, ao qual se costuma chamar de “educação e boas maneiras”. A intenção é louvável, porque está longe de ser agradável andar por aí a dar pontapés em papéis sujos, a pisar a caquinha do caniche da madame, ou a assistir á cuspidela do cidadão que vai ao lado. O que não vale é exagerar. Mas já se sabe que os regulamentos nem sempre se regem pelo bom senso. Neste caso, há alguns pontos que vale a pena conhecer, quanto mais não seja para não correr o risco de ser autuado ou de ter de ouvir um raspanete do agente mais próximo.
Em primeiro lugar, deve o cidadão ficar a saber que, entre as 10 da noite e as 8 da manhã, fica proibido quer de tocar instrumentos, quer de cantar. Esta regra é válida tanto para solistas, como para agrupamentos vocais de circunstância, e, ao que se sabe, inclui serenatas. E mais. Se o Sr. Ouvinte deseja jogar ás cartas em locais públicos, tem de passar primeiro pelo Governo Civil e pedir a respectiva licença de porte de baralho. Como se vê pelos exemplos, não há fome que não dê em fartura, e o problema do regulamento é que com tanta “civilidade”, vai ser preciso perder umas boas horas só para jogar uma bisca ali no Jardim do Príncipe Real . Então, porte-se bem e, já sabe, se sair á noite, não cante.»

As regras da boa vizinhança - Livrinho de civilidade (III tentativa)

Por duas vezes tentei postar, e tive problemas. Por duas vezes tentei apagar os posts mal postados, e tive problemas. Nao sei se e' o blogspot que tem alguma coisa contra mim, ou nao quer que eu poste sobre as regras da boa vizinhanca, ou se sou eu que sou uma azelha total (nao precisam decidir qual das opcoes e' a correcta, grazie!). Nao ha duas sem tres e agora e' que e' de vez!

PrimeiroS que tudo: a minha imagem do dia. Talvez ande a abusar das imagens, mas eu sou uma pessoa muito visual.


Confidências, Paulo Bizarro

SegundoS: ainda a propósito de “Portem-se bem”, um argumento de Miguel Qualquer-Coisa, na XFM (“Para uma imensa minoria”) (edição de 19/09/1994, 14:00), porque tambem sou uma pessoa muito auditiva. Se conseguirem ler a transcricao que fiz e postei na primeira tentativa de hoje, digam-me:
1. o tal regulamento de civilidade foi realmente pensado e aprovado?
2. se 1. sim, foi so' aprovado para Lisboa? Isso inclui a Grande Lisboa?
3. o tal regulamento continua em vigor?
4. se 3. sim, a serio que nao posso fazer serenatas depois das 10 da noite? Nem 'as sextas e aos sabados? Va la', ate 'as 11 ou meia-noite, para dar tempo de jantar com calma, 'a portuguesa!!OK, em Inglaterra faria sentido, porque janta-se as 18.30-19.00, os telejornais da noite comecam 'as 19.00 e os pubs fecham 'as 23.00. Alem disso, quem faz serenatas aqui para o Norte da Europa 'a noite quer apanhar uma valente amigdalite.
5. ainda se 3. for verdade, a serio que nao posso jogar uma bisca lambida, ali no Jardim da Estrela ou no Jardim do Principe Real, sem ter de registrar o baralho no Governo Civil?? Nao, a serio? Digam-me, posso andar com uma navalha no bolso, mas com um baralho de cartas nao? Eu sei que, com boa tecnica, uma carta de baralho pode furar um olho, e' perigoso...
6. ja' alguem foi apanhado em pleno acto transgressor e autuado? E quem e' que anda a fiscalizar, QUEM?!

FinalmenteS: Estas duvidas perseguem-me ha' 9 anos, mas so' agora, que tenho blog, e' que as posso expor a uma parte da comunidade. Nove anos... Alguem me ajuda na limpeza das duvidas?

Grafitti...

É Arte!


(obrigada Pedro Bolito pela tua inspiração)

A Tangerina

Hoje, ao reler o post de ontem, fiquei com a certeza que quem o leu, ficou sem compreender o seu sentido. E com razao.
No caminho para o trabalho, passo por muros cheios de grafitis ( penso que se escreve assim). Se bem que alguns sao, na minha opiniao, horrorosos, outros ha que me agradam esteticamente. E pensei: isto e Arte? E depois a questao seguinte foi: o que e Arte? A consulta ao Dicionario, um habito antigo em caso de duvidas, foi a primeira reaccao. Encontrei aquela definicao. E fiquei a pensar nela.
Lembrei-me de ha dois anos ter ido visitar o Louvre e ter ficado extremamente decepcionada. Se por um lado a grandeza do edificio, a arquitectura, a fabulosa coleccao relativa ao Egipto e a Africa me ficaram na memoria, por outro, a grandiosa coleccao de quadros exposta fez-me bocejar. Correndo o risco de soar a ignorancia em estado puro, ate o diacho da Monalisa me pareceu uma gaja bem feia, se bem que ela estava, no alto da sua vitrine, sorrindo sardonicamente aos flashes das camaras. Lembrei-me a seguir da visita ao Pompidour. A exposicao la apresentada ja foi mais de encontro aos meus gostos pessoais, mas a medida que fomos descendo, a exposicao de arte moderna comecava a ser demasiado provocadora, para o meu gosto. Para exemplificar, devo dizer que ficamos mais de cinco minutos dentro de uma sala, onde estava uma televisao, mostrando em detalhe umas nadegas em movimento. Aguardamos por um desenvolvimento, que nao existiu. Era apenas aquilo. Que a Arte e subjectiva toda a gente sabe. Mas ate que ponto e que alguma Arte e apenas lixo estilizado? Talvez no ponto em que eu ache que e. O que nao invalida que possa ser apelidado de Arte por alguem a quem o meu lixo estilizado tenha mexido no sentido estetico. Nao sei se estou a fazer qualquer sentido com esta minha divagacao. E ha mesmo um inumero numero de questoes que gostaria de colocar relativo a este assunto. Mas isso vai ficar para outro post. O que eu queria mesmo dizer, e que quanto a mim a categorizacao a nivel de Arte e muito subjectiva e ate injusta. A Arte e o mundo em movimento mexendo com as nossas entranhas.
Hoje nao coloco aqui nenhuma imagem.

quarta-feira, setembro 24, 2003

"Justica para todos!", dizem os primatas

Cortesia de Encarta para Capuchin-monkeys

Nao costumo falar de trabalho aqui na Travessa, porque vir 'a Travessa e' uma forma de escape laboral. Mas, como gosto muito de falar de inactualidades, aqui vai uma posta semi-congelada, da semana passada, o que na ciencia e' considerado "ja' ha' tempos" (ver Nature, do dia 18/09/2003). (Nota: By the way, I'm on the monkey business.)

Segundo um estudo de Sarah Brosnan e Franz de Waal, primatologos americanos, a ideia de justica e de fair play tera' sido "inventada" ha' cerca de 40 milhoes de anos, um pouco antes dos macacos do Novo Mundo (as Americas) se terem separado dos macacos do Velho Mundo (o resto do mundo). Ao que parece, tanto os macacos como, por exemplo, os sindicalistas, estao preparados para entrarem em greve de forma a receberem um pagamento considerado justo.

Os tais investigadores decidiram fazer uma experiencia com macacos-capuchinho (Cebus apella), uma especie de primata da America Central e do Sul, conhecida pela sua grande massa encefalica (relativamente ao tamanho corporal), e pela cooperacao entre os seus membros. Ja' ha muito tempo se sabia que a especie humana tem sentido de justica (hmmm, really?) e uma grande propensao para entrar em greve ou amuar. Mas este estudo publicado na Nature parece ter sido o primeiro a demonstrar que tal tambem acontece em primatas nao-humanos (sim, porque dos lemures aos humanos, passando pelos gorilas, chimpanzes, macacos, etc,e' tudo primatalhada!!): os belos dos macacos-capuchinho conseguem reconhcer uma situacao de injustica e "amuar" (amuar entre muitas aspas; mas eu gosto da palavra).

Ora, assim rapidamente, em que e' que consistia a experiencia? Os macacos eram treinados a fazer determinada tarefa, a troco de uma recompensa. Normalmente, os capuchinhos ficavam contentes por receber pedacos de pepino por desempenharem a tarefa. Ma ja' nao achavam piada nenhuma se o seu colega do lado recebia uvas pela mesma tarefa, ou, 'as vezes, nao a tendo desempenhado sequer. Nota: os capuchinhos preferem uvas a pepinos. E' mais ou menos o que sentiria uma crianca que recebesse uma bolacha Maria por ter arrumado os brinquedos, enquanto o irmao recebia um chocolate de 100 gramas da Cadburys, daqueles com amendoas, ou um Kinder Surpresa, pela mesma tarefa, se calhar ate' executada pior. Estou mesmo a ver a criancinha a atirar com a bolacha 'a cara do irmao (ou do progenitor?). Portanto, e' mais ou menos isto que aconteceu na experiencia com os macacos: recusavam-se a receber a recompensa "inferior" ou atiravam-na 'a cara do investigador, ou para o chao, ou coisa que o valha.

No entanto, embora os macacos injusticados nao ficassem muito contentes com a situacao, tambem nao ficavam visivelmente ansiosos, excepcao feita 'as femeas. As femeas reagiam muito mais a desigualdade, ou com mais desagrado. Hmmm...Ja' vejo toda a gente a pensar que o mundo seria muito mais justo se as femeas estivessem no poder... Pelo menos no caso dos capuchinhos, os machos estao muito mais interessados em femeas, e as femeas em comida. Portanto, nao e' que os capuchinhos macho sejam menos igualitarios, mas se calhar tinham mais do que pensar do que pensar em comida. Hmmmm...

Estes resultados tambem tem interesse porque apoiam a sugestao relativamente recente de que as decisoes economicas tanto podem ser baseadas num sentido emotivo de justica como em consideracoes racionais. Um economista classico diria que seria melhor ficar com o pepino do que com nada. Mas eu tambem atiraria uma bolacha Maria 'a cara do economista que me viesse com essas historias!!

"In baking at this unequal pay, the monkey is surely being irrational, rejecting food that is offer. But the negative emotion of 'unfairness' and the refusal to accept inequitable situations has been a positive influence in the long-term in the development of human society and the same evolutionary pressures seem to have prevailed in other primates as well." (in Nature)

ARTEdo Lat. arte

s. f.,
conjunto de preceitos ou regras para bem dizer ou fazer qualquer coisa;

tratado, livro que contém esses preceitos;

artifício;

ardil;

faculdade;

talento;

habilidade;

ofício;

profissão;

indústria;

diabrura.


— abstracta: arte que procura representar a realidade abstracta e não as aparências da realidade tangível;

— maior: utilização do verso de nove sílabas com acento na 3ª, 6ª e 9ª sílabas;

— figurativa: arte que retrata, de qualquer forma, alterada ou distorcida, coisas perceptíveis no mundo visível;

nobre —: pugilismo;

sétima —: cinema;

—s liberais: as que dependem essencialmente da inteligência e do estudo;

—s mecânicas: as que dependem do trabalho manual ou mecânico;

Belas-Artes: as que exprimem o sentimento estético, tais como a arquitectura, a escultura, a pintura, a música e a poesia;

—s mágicas: magia;

malas —s: manhas delituosas, ardis pouco claros.
Fonte: Dicionario Universal da Lingua Portuguesa da Texto Editora





terça-feira, setembro 23, 2003

Afinal nada mais que isto...



Bolas!

Obrigada, vizinhas pela calorosa recepcao.

Marcas de uma vida- Pedro Palma

Ai que ja me "desquecia"!
Hoje comeca o Outono e com ele a contagem decrescente ate ao proximo apogeu, que e o Natal. Ja olhamos para as novas coleccoes com outros olhos. Ja se pensa em por a jeito, o cobertor, o edredon, o casaquito de malha...
A mudanca de estacao e verdadeiramente o inicio de um novo ciclo e como tal, tempo de balanco e projecto (isto parece tirado do horoscopo).
Sinceramente, desejo a todos um Outono dourado. Eu sei que os dias sao mais piquenos, mas as noites....enormes!!!!

Joris Van Daele

Copyrights e Plágios

Florista Virtual

A Travessa ja' comecou a receber emails. "Tap,tap!" (palmadinha nas costas), pensou aqui a Maria, "ha' gente que se da' ao trabalho de comentar os nossos posts por email, uau!" Na verdade, era o email de um senhor que trabalha para uma revista de critica cinematografica. Queixava-se o senhor de que tinhamos aqui usado uma imagem sua, ou melhor, de um poster, sem lhe ter pedido autorizacao, nem sequer ter feito um link para o seu site.

Ora bem. Obvio que prontamente a travessa lhe enviou um email com desculpas, que isto aqui a malta ainda e' caloira, jovem e nao sabe, e que agradeciamos ter-nos chamado a atencao.

Confesso, fui eu que aqui pus o poster, sem me lembrar de copyrights, eu que, na vida fora da blogosfera, estou sempre cheia de pruridos a citar autores, porque odeio plagios e a desonestidade intelectual. Fiquei pensativa. Concerteza que acho que tanto na blogosfera como nas outras esferas se tem de respeitar o trabalho dos outros, nomeadamente citando as fontes do nosso proprio trabalho. Mas esta ainda um pouco ingenua blogueira achou que se uma imagem esta' disponivel na internet, quer dizer que pode ser usada livremente num blog, para mais porque, atraves das "propriedades" se sabe sempre de onde e' que a imagem veio. A nao ser que se diga expressamente que a imagem so' pode ser usada apos autorizacao expressa do seu "dono". Penso eu de que. Ou nao? Mas continuo pensativa, porque esta questao dos plagios e copyrights nos blogosfera e internet em geral tem muito que se lhe diga. acho que e' material para outro post, um pouco mais inspirado do que este.

A menina Paula....




VOLTOU!

Espero que venhas cheia de força. Um bibi cheio de saudades para a minha sócia.
A Travessa finalmente ficou cheia, é aproveitar!


A Tangerina


Faxabore: tirei a imagem da net!

segunda-feira, setembro 22, 2003

O compasso politica - referencias

Hoje recebi um email com um link para o compasso de que falei ha' bocado. Houve um artista-sem-nome que ja' tinha falado sobre ele. Mas tambem so' agora e' que descobri o artista e o seu post de 17 de Setembro. Plagiei? Pode-se plagiar sem querer? Amanha falo sobre plagios.

Como estou mesmo muito chateada, resolvi fazer uma cena, tipo DNa. So que eu chamo-lhe Gramo/Nao Gramo.
E reza assim:
Gramo pensar no sentido da vida.Nao gramo quando a vida pensa no meu sentido. Gramo tremocos e cerveja. Gramo ainda mais marisco e vinho branco fresquinho.Nao gramo mesmo nada bacalhau assado e coca-cola.Nao gramo pisadelas nos calcanhares. Nao gramo bafos pestilentos. Nao gramo que tussam para cima de mim. Gramo a luz da cidade numa manha de Verao. Gramo a luz da cidade numa manha de Inverno, desde que nao tenha que sair de casa. Gramo o cheiro da terra molhada. Gramo agua a temperatura da nascente.Nao gramo a bocalidade. Nao gramo a petulancia. Nao gramo a indiferença dada com ares de superioridade. Gramo um duche demorado. Nao gramo lavar louça. Nao gramo passar a ferro.Gramo Te. E Tu? Gramas-me?

Peco desculpa pela falta de acentos e cedilhas mas a culpa e inteiramente do teclado que obviamente nao me grama.

O Compasso Politico

Hoje e' Segunda-feira. Isto implica que:
1. se esteja ainda a ressacar do fim-de-semana;
2. (tambem)devido a 1., a inspiracao escasseie;
3. dia em que, devido a 1. e, por conseguinte, 2., se fale de futebol, mas EU NAO QUERO!
4. devido a 1., e portanto, 2., e por consequencia 3., va' falar de politica
5. apesar de 4., e devido a 1., limito-me a apresentar aqui um teste, um "compasso politico".

Aquele batido argumento de que "esquerda e direita nao existe" esta semi-correcto. Na verdade, segundo o o compasso politico.org, pode-se ser mais ou menos autoritario de esquerda ou de direita , ou mais ou menos libertario de esquerda ou de direita . Faca o teste, que o compasso marca as coordenadas das suas tendencias politicas. Veja depois se pode entrar nesta nova semana com o pe' direito ou o pe' esquerdo.

As coordendas do compasso deram que politicamente me situo no mesmo quadrante que, por exemplo, George Monbiot (critico britanico e pensador ambientalista): "Tell people something they know already and they will thank you. Tell them something new and they will hate you for it." (The Age of Consent: a Manifesto for a New World Order, 2003).

Num quadrante completamente diferente, encontra-se, por exemplo, a "Sadona" Margarida, que diz: "There is no such thing as society" (Margaret Tatcher).

Post post 1: Uma das tres Marias da Travessa voltou. A Travessa estava cheia de saudades tuas, Paula! Arranjaste os comentarios, que bom! Os comentarios anteriores desapareceram, mas voltem ca' e coscuvilhem mais.
Post post 2: As fotos de hoje pertencem ao Sr. Joao Mula.

Voltei, mas ainda ca nao estou. O meu pensamento passeia-se algures entre o presente e futuro. Entre o desejo de estar algures, aquele lugar onde tudo esta sempre bem. Gostaria de dizer que voltei cheia de forca. Mas e mentira, porque ainda ca nao estou.

Succession- Rene Magritte

sexta-feira, setembro 19, 2003

Belleville Rendez-Vous (BRV)


Como prometido “ha’ atrasado”, vou descongelar uma posta que tinha para aqui em forma de pequenas notas e que, por falta de tempo, ainda nao me tinha dado ao trabalho de alinhavar. Dai haver partes com acentuacao perfeita e outras nem por isso (2 teclados diferentes).

Hoje e’ sexta-feira, dia de estreias no cinema. Aqui vai, pois, uma sugestao, embora nao saiba se Belleville Rendez-Vous (Les Triplettes de Belleville, no original frances) ja estreou em Portugal ou noutros paises que nao o Reino Unido.

O novo filme animado de Sylvain Chomet é comovente, hilariante e tão francês que se consegue sentir o sabor de Brie. Trata-se de uma producao Franco-Belga-Canadiana, infinitamente inventiva e deliciosamente negra. Esquecam os preconceitos habituais dos desenhos animados terem as criancas como publico-alvo. A sofisticacao macabra deste filme notavel e’ talvez areia demais para a camioneta dos petizes.

Sendo uma referência brincalhona aos filmes de Jacques Tati, com umas leves (muito leves) pinceladas de Betty Boop e de, há quem diga, 101 Dálmatas, é possivelmente dos filmes mais originais dos últimos tempos. Se existisse alguma justiça no mundo, este seria um filme a ser oscarizado. BRV não segue nenhuma das regras a que estamos habituados, sobretudo se o compararmos ao mundo Disney. Apresenta um estilo de narrativa completamente novo, assim como um estilo visual tão original, que permanece na memória até muito depois de ter passado a ficha técnica (conselho: ficar até ao final da ficha técnica, para uma pequena surpresa). BRV tem a pungência de Amelie de Jean-Pierre Jeunet, mas é um pouco menos inocente. Tanto a animação em si como a história são ricas em pormenores e excentricidade .

O realizador Sylvain Chomet oferece-nos maravilhosos momentos, em que o absurdo impera. Veja-se o climax com a perseguicao de carros em praticamente camara lenta e as personagens grotescas, que dificilmente poderiam ser tranformadas em bonecada para a criancada e oferecidas em Happy Meals.

A história centra-se na diminuta Madame Souza (eu nao vou dizer a nacionalidade dela; os pormenores da animacao dao-nos a resposta), que vive apenas com e para o seu neto, um rechonchudo e tristonho órfão. A “Sadona” Souza tenta de tudo para despertar no neto algum interesse por qualquer hobby que seja. Compra-lhe até um fiel cachorrinho, o Bruno (que, na verdade, pelos detalhes da animação, se conclui que é uma cadela), que acaba por ser a perspectiva através da qual vemos a história. O rapaz acaba por desenvolver uma paixão (exarcebada) pelo ciclismo, começando pelo triciclo até se tornar um campeão que entra na Volta a França em Bicicleta, graças aos treinos obsessivos da sua personal trainer, Madame Souza. Quando Champion e’ raptado pela mafia francesa e levado para a grande metropole Belleville, a avo’ e Bruno (cao que sofre de obesidade cronica e de sonhos profeticos) iniciam uma verdadeira odisseia em sua busca. E’ na tal metropolis francofona, que poderia ser uma qualquer Nova York, mas com arranha-ceus em estilo gotico, que Dona Souza conhece as trigemeas de Belleville, cacadoras de ras, outrora grandes estrelas do music hall, mas agora um pouco em decadencia.



Satira aos tempos modernos, da lufa lufa diaria, do transito infernal, da desumanizacao citadina, do fast food, da obesidade e do crime organizado, e’ tambem uma nostalgica visao do modus vivendis da velha Galia. E como sobrevive alguem ainda tao enraizado ao antigamente num meio tao metropolitano e desumanizado? Vence aqui a inventividade, a obsessao, a ternura e a lealdade, contra todos os traumas de infancia (sim, ate’ Bruno tem traumas de infancia) e conflitos entre o velho e o novo. E a pequena e rolica Madame Souza, com uma perna maior do que a outra, e’, possivelmente um tipo de heroi que jamais nos passaria pela cabeca que existisse. A verdadeira campea desta historia e’ esta rija idosa portuguesa (pronto, afinal disse a nacionalidade), avo’ incansavel e babosa do seu netinho. Um hino ‘as avos portuguesas.

E’ um filme em que se sente tanto este enfoque nas relacoes entre o velho e o novo, que as personagens, desenhadas a tinta e caneta, sao a duas dimensoes e postas em cenarios computadorizados a tres dimensoes. Este estilo visual, ao mesmo tempo naive e sofisticado, esta a milhas de distancia do estilo de animacao Disney ou Manga. Que bom que e’ ir ao cinema e ainda sermos surpreendidos!

A Travessa aconselha. Brilhante (****).


RESUMO:
O filme tem: Josephine Baker dancando ao som de Django Reinhart (ate' que um bando de macacos endiabrados lhe rouba a saia feita de bananas); Fred Astaire e os seus agressivos sapatos; um cao com pesadelos sobre viagens de comboio; uma velhota que usa granadas para cacar ras; mulheres de cabaret que usam um frigorifico, um jornal, um aspirador e uma roda de bicicleta como instrumentos musicais; uma perseguicao que desafia as leis da gravidade; um sketch comico depois da ficha tecnica; e muito mais.

We appologise to Movie Gazette for not having referred the source of the poster previously. Thanks for letting us know and for the permission to use your images.

quarta-feira, setembro 17, 2003

Polaroid nº 4

Frente Torre de Belém, 03 de Agosto de 2003, 04.46h

A água corria lentamente para a foz, levando com ela um turbilhão de sentimentos que percorriam sensações e davam um calafrio na pele.

Inspirei fundo, e senti o vento quente que corria, e absorvi os cheiros e cores que estavam ali disponíveis.
Olhei as estrelas penduradas por fios, e desejei que estivesses a meu lado também a vê-las, aqui ou na outra ponta do mundo, onde te conseguisse ver a alma e absorver dos teus olhos o desejo.

Tenho tantas saudades tuas.


Tinhas cedido à corrente e caminhavas para a foz... acenei-te, mas já tinhas partido.




Verso - algures perdido no Algarve, Julho de 2003

Ao olha-la nos olhos, sentiu uma crescente emoção.


Descrente na vida, e triste , conseguir ver para além do que apenas as imagens cedem era um progresso.

Pensou em acarinha-la, toma-la nos braços, aninhar-se e beija-la.

Mas só sentimentos ditos românticos lhe vinham à cabeça, onde as estrela libertavam uma força quase cósmica que fazia com que a pele da sua musa, tivesse uma tez diferente de todas as outras mulheres, sentindo a magia do momento tentou capta-la para si, no entanto como a areia da praia entre os dedos, desapareceu.



A Tangerina


NOTA: hoje as saudades e a melancolia tomaram conta de mim...

Poeiras

Ando em limpezas. Casa, computador, escritorio, tudo vitimas das minhas limpezas outonais. 'As vezes nem e' assim tao mau fazer limpezas. Debaixo do po', 'as vezes encontram-se:
- coisas magnificas: um anel "perdido" ha' um ano
- coisas urgentes: documento que deveria ter entregue ate' 29 de Agosto
-coisas para reflectir: artigo do Publico (com acento agudo no "u") de 25 de Outubro de 2000. Afinal, NóS estavamos avisados. Mas porque e' que fizemos orelhas moucas? Como aqueles tres conhecidos macacos - o que nao ouve, o que nao ve, o que nao fala - assim nos deixamos (com acento ou sem acento no "a", neste caso vai dar ao mesmo) alienar.


Pentágono Discute Ataque a Bin Laden
Publico, Quarta-feira, 25 de Outubro de 2000
O Pentágono está a avaliar a possibilidade de lançar um "ataque preventivo" contra a organização do milionário de origem saudita Osama bin Laden, que, segundo os Estados Unidos, poderia estar a preparar um novo atentado contra interesses norte-americanos.
Bin Laden é considerado o responsável pelos atentados contra as embaixadas dos EUA no Quénia e na Tanzânia em 1998 e é suspeito de envolvimento no atentado do passado dia 12 contra um navio norte-americano que se encontrava no Iémen.
Responsáveis do Pentágono citados pela cadeia televisiva CNN afirmam que existe "uma ameaça específica que é considerada credível" ligada a colaboradores de Bin Laden, que vive actualmente no Afeganistão. A CNN revelou também que o Presidente norte-americano Bill Clinton reuniu-se ontem com os seus principais conselheiros para a segurança nacional para discutir o clima de tensão no Médio Oriente e as ameaças que já obrigaram as forças americanas no Bahrein e no Qatar a entrar em estado de alerta - o "Threat Condition Delta", que equivale a estar "em pé de guerra", segundo explicou um responsável militar.
No topo da agenda da reunião entre Clinton e, entre outros, o conselheiro para a Segurança Nacional Samuel Berger, o secretário da Defesa William Cohen e o director da CIA George Tenet, estavam precisamente as medidas a tomar na sequência das ameaças terroristas contra cidadãos e alvos norte-americanos.
No entanto, sublinharam as fontes da CNN, só será lançado um ataque contra a organização de Bin Laden (os alvos concretos não foram revelados por razões óbvias) se for estabelecida uma ligação clara com as ameaças, e se se concluir que esse ataque afectaria realmente "a capacidade de [Bin Laden] atacar" alvos americanos.
Pelo menos já uma vez no passado a Administração Clinton reagiu ao que considerou serem ameaças vindas do grupo de Bin Laden, lançando ataques com mísseis contra alvos no Afeganistão e no Sudão. A decisão de atacar nessa altura (Agosto de 1998) foi tomada "em parte porque havia informação de que ele iria atacar [interesses americanos] novamente", depois dos atentados contra as embaixadas no Quénia e na Tanzânia, explicou uma das fontes do Pentágono citadas pela CNN.
O ataque foi polémico porque o alvo atingido no Sudão era uma fábrica que, segundo as autoridades sudanesas, se destinava a produzir medicamentos, mas que os EUA garantem que estava preparada para produzir gás de nervos mortal.

segunda-feira, setembro 15, 2003


Mudar de casa, a ética protestante e o espírito do capitalismo

O que é que mudar de casa tem a ver com o protestantismo e o capitalismo? Aparentemente, muito pouco. Se calhar não tem mesmo nada a ver, mas eu hoje vou mudar de toca, e houve um episódio relacionado com essa mudança que me fez pensar no Sr. Weber, Max para os amigos.

Esta lufa lufa de andar a pedinchar caixas de cartão (“que não sejam precisas; se estiverem aí a jeito; obrigadinha, sim?”) em todo o super-mercado, mercadinho e cooperativa, é um processo que deixa uma pessoa exausta. Encaixotar a vida toda, depois de se ter decidido reciclar, doar ou simplesmente desfazer-se de objectos que, por uma razão ou por outra, entraram na nossa vida, ainda mais cansativo é. Cancelar contratos e começar novos contratos de telefone, electricidade, água, gás, Internet, TV (aqui em Inglaterra pagam-se 300 libras por ano, cerca de 94 contos dos antigos, para se ter direito ao aparelho), aluguer de casa, e mais o diabo a quatro, deveria ser considerado modalidade olímpica, a exigir o rigor físico-psíquico do pentatlo. Mas agora, esta imagem fantasmagórica do Max Weber (MW, 1864-1920), que não me larga há dias, é que já é demais!! Vou ter de exorcizar.
Estao a ver a pinta do Max?

Weber, considerado um dos pais da Sociologia, e muito importante na história das ciências sociais em geral, andava preocupado com o sentido que as pessoas davam às suas acções, o que o levou a perceber (ou a tentar, pelo menos) as mudanças históricas. Contrariando alguns (“A Oeste Nada de Novo”, lembram-se?), afinal parecia que havia novidade no Oeste. “Ora bolas, mas afinal o que é que está a provocar esta mudança toda no Ocidente?”, perguntava-se, amiúdas vezes, o Max. Depois de muita coçadela de couro cabeludo e de, com toda a probabilidade, muitas pints da bela cerveja alemã, Max decidiu-se a examinar os sistemas económicos e religiosos de várias civilizações.

Max começou a achar que a racionalização da acção só poderia acontecer quando se abandonam as formas de vida tradicionais. Achava que as “pessoas modernas” (não tradicionais) poderiam ter alguma dificuldade em aperceber-se disso. MW achou, então, por bem, pôr a descoberto as forças que levaram a que o pessoal do Ocidente abandonasse certos valores tradicionais da sua orientação religiosa e começasse a sentir-se encorajado a desenvolver um grande desejo para adquirir coisas e ficar rico.

Depois de estudar a coisa bem estudadinha, Max (e não MarRx) veio com uma hipótese que lhe proporcionou a publicação de um livro ou outro (A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, por exemplo). Apontou o dedo, respeitosamente, à ética protestante, que teria sido a causa para a quebra de certos valores tradicionais, encorajando as gentes a aplicarem-se racionalmente ao trabalho. “Descobriu” que o Calvinismo tinha desenvolvido um conjunto de ideias em torno do conceito de predestinação. O seguidores de Calvin (que não o da última página do Público; piada inevitável) acreditavam que não havia nada que se pudesse fazer para se assegurar um lugarzito no céu. Ou se estava entre os “eleitos” ou não, paciência, mande mais postais (mas não adianta nada!). No entanto, a riqueza era considerada um sinal de que se era um dos eleitos de dEUS, o que, lá está!, encorajava as pessoas a tornarem-se riquinhas. A ética protestante fornecia, portanto, as sanções religiosas que fomentavam um espírito de disciplina rigorosa, encorajando a malta a aplicar-se racionalmente ao trabalho. Não havia cá pão para malandros, não senhora! E assim teria começado o capitalismo. Embora Max não acreditasse que a ética protestante fosse a única causa da emergência e crescimento do capitalismo, considerava essa ética uma força poderosa que teria proporcionado tal surgimento.

Bom, e voltando ao assunto da mudança de casa. Vivo numa residência de estudantes, que amanhã terão de a abandonar para dar lugar aos caloiros. Uma das minhas vizinhas, alemã, muito simpaticamente, deixou-me, um dia destes, um papelinho debaixo da porta, dizendo que o namorado vinha da Alemanha, numa carrinha, e que me poderiam ajudar nas mudanças, que não custava nada, que calhava em caminho. “Tão querida”, pensei, “isto ainda há gente prestável neste mundo”, e os restantes clichés. Nisto, viro a folha, e continuava o recado: “Depois pagas a quantia que te der mais jeito.” (tradução ranhosa de “Then you pay the amount that better suits you”).

Pequena adenda: foi na Alemanha que a Revolta Protestante (Reforma) começou. Isto porque havia uma série de condições sociais, económicas, políticas que a favoreciam, entre elas o facto do pessoal (o comum mortal e os príncipes) estar farto de pagar balúrdios em taxas ao Papado, enquanto que os clérigos estavam isentos e tinham, ainda por cima, uma série de regalias sociais. Acho que sim, acho que o pessoal deve-se revoltar contra as injustiças. Venham daí as reformas!

Eu sei que isto é, se calhar, horrível de se dizer, e que as generalizações são perigosas e enganadoras, etc. Mas foi nesse dia, no dia do bilhetinho, que o Max (Weber) voltou do além para me atazanar o espírito (agnóstico, by the way). E eu quase-quase lhe dou razão, estupor do homem!

Then you pay the amount that better suits you.” Não há cá trocas de serviços (“sempre que precisares...”), não há cá “dou-te uma boleia e tu, para a próxima, ofereces-me um grandessíssimo jantar com um belo de um vinho português D.O.C. na tua nova casa”, não há cá eternas gratidões, nem amizades eternas!
Será que é a ética católica a apoderar-se desta pobre alma agnóstica, ou será que não percebi bem a coisa e fervi em pouca água?


Post post - Se chegou ao fim deste post, fica a saber que este texto foi produzido com o apoio involuntário de: Prof. Frank Elwell, Prof. Óscar Barata, Prof. Luís Batalha, e A.K., a minha simpaticíssima (sem ironias) vizinha alemã. (MdF)

sexta-feira, setembro 12, 2003

Polaroid 3

Frente - Avª 24 de Julho 04.47h
No semáforo vermelho em frente ao Cais do Sodré, um casal jovem aproveita os segundos que lhe restam para dar ardentes beijos apaixonados.
Os bombeiros limpam o óleo de um acidente. Estava frio apesar de estarmos em Julho e sorri para o casal novo que nem se apercebera que o sinal já está verde, o jeep que estava atrás de mim fez soar uma buzina estridente, avancei até casa, perdendo o casal apaixonado numa noite de amor.


Verso - uma aldeola perdida entre Bemposta e Ponte de Sor , Agosto de 1982

Tinha um grande chapéu com abas, chorava incessantemente, já me doía o estômago de soluçar, com uma paciência imensa a minha mãe desculpava-me, "é a birra do sono", continuava paciente a tentar fotografar-me, enquanto continuava a chorar. Terminado o sofrimento corri para ela e, tropecei nas minhas botas ortopédicas já muito gastas e velhas. Esfolei ambos os joelhos e continuei a chorar. Limpou-me os joelhos, já cheios de cicatrizes e fomos dormir, enquanto dormia, ela imponente lia mais um livro, e os seus brilhantes olhos verdes, andavam de um lado para o outro à procura das letras.

Não entendia, deixei-me dormir.


A Tangerina

quinta-feira, setembro 11, 2003

Epígrafe para o género humano

É inútil dizer o que se pensa.
Se é frouxa a frase, é nada; e é vã se é intensa.
Cada um compreende só o que sente
E entre alma e alma a estupidez é imensa.

(Fernando Pessoa)



E' tao bom aproveitarmo-nos da palavra alheia, nao e'? A serio que nao e' so' por medo de as minhas frases sairem frouxas, que nem ontem nem hoje posto palavras minhas. Ha' "a-fazeres" ("se-fizeres") de outra ordem. Mas se o senhor-que-diz-que-nao-e'-poeta (aqui-nao-ha-poeta.blogspot.com) diz que o poeta e' criador mas nao detentor, e que os versos devem ser libertados, entao, pronto, sou uma libertária (rima com malária e tambem e' contagioso). Mas tenho umas postas congeladas para postar um dia destes. (MdF)

quarta-feira, setembro 10, 2003

Prelúdio animado:



MdF

terça-feira, setembro 09, 2003

Sombra de Outono no Largo Central

Continuando a saga de desenterrar programas de rádio da década de 90.
Era uma vez uma rádio “para uma imensa minoria”, de seu nome XFM. Essa rádio tinha, entre outras originalidades, uma ausência de serviços noticiosos à hora certa, ou, pelo menos, não aqueles a que estamos habituados. Porque, na verdade, à hora certa, o que tinha era um “serviço opinativo” que (in)formava a dita imensa minoria. De hora a hora, um radiofonista diferente apresentava um pequeno texto da sua autoria, a que chamava “argumento”, sobre um tema da actualidade ou desactualidade. E eu, que na altura tinha mais disponibilidade para OUVIR rádio do que hoje, nunca me apercebi que alguma vez tivessem repetido argumentos. Não havia repetições de “posts radiofónicos”. Havia ali trabalhinho e originalidade.
Essa rádio já não se encontra entre nós. Mas a tal cassete que desempoeirei no outro dia (ver post de 7 de Setembro de 03) mantém gravadas algumas dessas pequenas preciosidades. Muito a propósito da rentrée (isto para dar um ar de...actualidade), descobri um argumento de Rui Lagartinho, edição de 09/09/1994 (façam as contas, dá um número redondinho):

«As tardes longas de Verão estão a chegar ao fim. O Alentejo tem cada vez menos luz às 7 da tarde. Podemos estar em Mourão, em Serpa, em Arraiolos. O importante é estar no largo central. Duas dúzias de mulheres de meia idade, a maioria de preto, fazem renda ou conversam em surdina. Os olhares viram-se de cada vez que passa um jipe. De cada viatura saem cinco, seis pessoas, com ar de passeio ou de ressaca de quem passou a noite frente à lareira. Um deles é neto do dono do monte. Os outros vieram passear as botas e os chapéus comprados na Praça de Londres. Da terra, só o cheiro e a indiferença. Tirando raras excepções, são assim os donos da terra alentejana, uma terra seca, abandonada, esquecida. Por isso, há um nó na garganta de cada autarca, sempre que se fala em soluções para o Alentejo. Às vezes distraímo-nos. Por exemplo, com Abílio Fernandes, o Presidente de Câmara de Évora. (...)»

Bom, a cassete é velhota (para cassete) e o argumento de RL foi cortado por ruídos próprios de fita velha. Mas aqui fica um T.P.C. para os meninos mais aplicados: continuar o argumento como bem lhes aprouver. Eu cá, vou-me pôr à sombra de uma árvore do Atlântico Norte e perder o olhar no regurgitar das vaquinhas inglesas e dos estudantes, que convivem no prado. Vacas com vacas, vacas com estudantes, estudantes com estudantes. (Maria das Flores)

Post post: Padrinho, onde estás tu?

Polaroid 2


Frente Aveiro, Maio de 2003, 04.35h

O fumo do cigarro percorria devagar o quarto. Da boca saíam bafuradas de fumo cinza-azulado e, na atmosfera reinava um clima de silêncio constrangedor que lutava pelo pódium com a sensualidade das sombras que a luz da lua permitia.
Olhava o horizonte, deixando as nuvens de fumo sairem pausadamente, em formas disformes e incoerentes.
Pensava na vida e em como gostaria que o momento nunca terminasse, que aquele cigarro nunca acabasse.
Encolhido num canto, perdeu-se numa das nuvens do seu cigarro e desapareceu.




Verso Centro Comercial Vasco da Gama, num qualquer dia a uma qualquer hora


Numa mesa do café ela escreve para si mesma:
“Querido Sorriso,

Hoje vi-te perdido numa das artérias do Centro. Estavas alegre e reflectias-te num dos múltiplos vidros das diferentes lojas.
Tentei correr atrás de ti, mas conseguias fugir-me entre pessoas e sacos de saldos; sorrateiramente tentei seguir-te até bem longe, e nunca fugiste do meu alcance.
Finalmente encontrei-te numa encruzilhada de gente e olhei para ti! Tinha-te apanhado!
No entanto estavas nos lábios sorridentes de outra mulher, que caminhava de mão dada com a possível paixão da vida.
Parei e fiquei amargurada a olhar para ti, que feliz seguias nos seus lábio e te perdeste no burburinho de risos e no ranger de sacos em época de saldos.

A Tangerina